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Sábado dia 14/12 saímos do conforto do nosso hotel e fomos para a desolada e temida Carretera Pinochet ou simplesmente Carretera Austral. Considerada uma das estradas mais belas e desconhecidas do planeta la carretera percorre, em meio aos Andes, todo o sul do Chile e liga a distante Patagônia Chilena ao resto do país. Ainda me lembro da minha empolgação ao ver no GPS quando entramos nela: RUTA 7 – LA CARRETERA AUSTRAL, mas, mal sabia o que estaria por vir. Realmente é uma estrada fantástica, passamos por vales floridos, rios de água absurdamente cristalinas e azuis que desaguavam em rios absurdamente verdes, rochas de marmore esculpidas pelas aguas, lagos de água transparente, montanhas nevadas, vulcões, e muitos, muitos animais. Nesta primeira etapa percorremos cerca de 200km de puro rípio sem cruzar com um mísero veículo e planejamos ir até Cochrane (CHI) principal cidade do sul da carretera (menor que a Palmeirinha) mas, a carretera realmente nos desgastou. Faltando 50km para chegar a cidade estávamos esgotados avistamos um belo lago sem nenhuma alma viva (a não ser os guanacos) e resolvemos acampar. Foi uma ótima ideia. Nem o pouco de frio que passamos a noite, nos impediu de dormir a noite inteira e renovar nossas forças para mais um dia de peleia na carretera.
No outro dia, rípio comendo solto, pára-brisa trincado, pneu remendado e um projeto de chegar até Coiaique uma cidade grande em meio a desolação da carretera. Passamos por muito parques nacionais, de glaciares e reservas nacionais e novamente não conseguimos cumprir a nossa meta, então paramos e acampamos no Parque Nacional de Cerro Castilho. Um belo parque e um ótimo camping, água quente, lenha para fogueira, bom lugar para armar a barraca, enfim com todas as facilidades da vida moderna. Isso nos rendeu uma bela, mas, uma bela noite de sono das 22h ás 10h. Ao acordar, levantamos acampamento e seguimos em direção a Puerto Puyuapi com uma ótima parada na grande Coiaique para compras, almoço e internet e após pegarmos o único e curto trecho pavimentado da Carretera chegamos ao nosso destino. Uma cidade famosa por suas termas, ‘’buenas’’ porém mui, mui mui caras. Ficamos na Pousada Dom Luis e o tal do dom Luis era gente fina. Logo ao chegarmos dois gringos suíços vieram alucinados até nós, pois, haviam perdido o ônibus até Chaltén e sabe Deus quando seria o próximo. Vendo o desespero deles fizemos milagre para colocá-los junto com suas bagagens dentro da superlotada La Poderosa. E no dia seguinte acordamos, pegamos os gringos e seguimos pelo último e mortal trecho da Carretera Austral. Novamente muito rípio, curvas e muitas, muitas barreiras para consertar a estrada (consertar o que?). Chegamos a Santa Lucia, última parada na Carretera, deixamos os gringos os quais veementemente quiseram nos dar dinheiro pela carona (não que não era bem vindo, porém, as centenas de vezes que precisei de carona e fui atendido me vieram a memória e fomos firmes em não aceitar) e seguimos em direção a quase brasileira San Carlos de Bariloche (AR).
